Coisas que eu aprendi quando já era tarde demais

Escorpiano é tudo doido, eu acho. Vivemos, como sempre disse, na urgência de um suspiro, no clamor de um desejo e na indecência de pensamentos proibidos. Sofremos e sorvemos tudo intensamente. E essa tal intensidade atrapalha pra caralho. A gente não consegue ser prático, maduro, confiante. É tudo a última chance, o extremo dos dois lados. Escorpiano é obstinado - obstinadamente apaixonado. Às vezes, eternamente. 

Meu estômago anda ruim. Náuseas, calafrios e uma pontada que não me deixa engolir nada. Tudo quer explodir boca à fora. Vomitar-se numa catarse que há muito precisa ser resolvida. Foram vinte anos de sonhos, medos, certezas, arrependimentos, procura, procura e procura. E, quando enfim encontrei, meu passado já não era meu. 

Aquele tempo, aqueles sorrisos, aquele amor, que um dia me pertenceram, agora tinham nova dona. É uma merda. É uma merda do caralho. Pensar em você com outra garota é como tacar a cabeça na parede, diversas vezes, só pra ver se o sangue que desce te faz sentir um pouco mais vivo. Te ver sendo dela é meu pior castigo. Hoje eu entendo quando bem me diziam que a vida era apenas uma, e tinha de ser vivida. 

De repente, te perdi tentando te encontrar, como diz o Versilo. Fiquei tonta, atõnita, perdida. Pensei que aos 36 eu saberia lidar com o fato de ter você apenas uma vez. Mas eu sou escorpiana, gente. E vocês já sabem: a gente quer tudo, e quando quer tudo, quer sempre mais. Eu nem sei o que passa na sua cabeça, mas o meu peito anda torturado por uma ausência que nunca vai acabar. 

A psicóloga me alertou - ele não é a solução! Mas a questão é que eu não queria a solução. Eu queria o problema, o turbilhão, o frenesi, a efervescência que era somente de nós dois. Você lembra do queimor que era tão nosso? Esse queimor que ainda está aqui? Eu te sentia por inteiro - meu, entregue. Eu te sentia aqui. Agora o peito está repleto, mas os teus braços têm outro lugar. Uma merda isso. 

De qualquer forma, entretanto, tenho que te dizer que vou ser feliz. Você me trouxe de volta, de um estado letárgico ridículo no qual eu me meti por duas décadas. Mas não abro mão, sindicalista, de ter você pelo menos uma vez. Mais uma vez. Só mais uma vez. 



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